sábado, Março 12, 2011

Gira bola , primeiro jogo


Benfica e Maquis empatam na abertura

Paulo Caculo - Hoje
Encarnados e maquisardes dividiram ontem os pontos
Fotografia: Rógerio Tuty
Os constantes cortes de energia eléctrica verificados no Estádio dos Coqueiros mancharam, ontem, o nível de espectáculo protagonizado pelas equipas do Benfica de Luanda e do FC Bravos do Maquis naquele que foi o jogo de abertura da 33ª edição do Girabola. Quatro golos (2-2), três interrupções em períodos de bom futebol são as recordações que os poucos adeptos puderam levar para casa. Olhando para a atitude demonstrada pelas duas equipas, dificilmente se chegaria à ideia de que se tratava do primeiro jogo de encarnados e maquisardes na presente época.

O ritmo elevado imprimido pelos antagonistas ao seu futebol, cedo despertou a ideia de que estaríamos em presença de um bom espectáculo. Coube, porém, às águas o primeiro sinal de perigo. Totó, que viria a ser, quanto a nós, a unidade mais valiosa da equipa treinada pelo técnico Amaro Ferreira, aos 2 minutos, já colocava a baliza dos forasteiros em apuros. Pensava-se que tal posicionamento fosse capaz de intimidar a nau maquisarde. Debalde! Foram os donos da casa que viriam, sim, a sofrer o golo inaugural, decorridos 6 minutos. O desvio de cabeça de Chole ao cruzamento de Saidi foi perfeito e indefensável para Guilherme.

Boa reacção  
Pressionada pelos adeptos, a equipa encarnada ousou tomar conta do jogo, passando a inclinar as jogadas para a baliza de Geziel que, diga-se de passagem, esteve melhor entre os maquisardes. Para o Benfica tornava-se complicado repensar o ataque, com Ndó, Mansapa e Totó a falharem constantemente o alvo. As bolas não levavam a direcção certa e Amaro Ferreira andava aos pulos no banco, espelhando intranquilidade. O empate viria a acontecer passados 34 minutos, por intermédio de Tchube. Mas, antes do intervalo, ainda houve tempo para os ataques desperdiçarem golos. 

Com Bebé, Saidi e Everton muito bem povoados no meio-campo, o Bravos do Maquis chegou a apostar muito no futebol de contra-ataque. Embora sujeito à enorme pressão do adversário, a equipa do Leste do País nunca se intimidou. Fruto disso é que chegou ao 2-1, através de Everton, na transformação de um penaltie polémico, de alegada mão à bola de Vadinho na área. Há quem diga que a última interrupção ao jogo fez muito bem ao Benfica. E porquê? A equipa encarnada retomou a partida de rompante. Com a bola em sua posse, jamais os luandenses entregaram o jogo ao adversário, passando a dominar a posse de bola e disposição de ocasiões de golo.

E foi tal qual água mole em pedra dura a bater até furar, pois, o Benfica na insistência ofensiva restabeleceu a igualdade e repôs a justiça no resultado, por conta de Tchube, pela segunda vez, aos 90 minutos jogo.

Ficha técnica  
Benfica: 2 (Tchube, aos 34´e 90´)
FC Bravos: 2 (Chole, aos 6´ e Everton, aos 48´)
Árbitro: Venâncio Daniel
Auxiliares: Luís Chahua e Wilson Ntyamba
4º Árbitro: João Goma

Benfica (4X4X2): Guilherme; Vadinho, Mussumari, Kikas e Zé; Totó, Tchitchi, Paito e Tchube; Ndó e Mansapa.
Substituições: Mussumari por Capita, aos 73´, Paito por Bolingó, aos 56´ e Mansapa por Manucho, aos 77´.
Posse de bola: 54% 
Treinador: Amaro Ferreira

FC Bravos (4X5X1): Geziel; Tião, Nando, Edson e Wheletes; Saidi, Sotto, Everton, Bebé e Nuno; Chole.
Substituições: Sotto por Bumba, aos 71, Everton por Marlon, aos 61 e Nuno por Capita, aos 45´.
Posse de bola: 46%
Treinador: Augusto Portela
Ao intervalo: 1-1.

Arbitragem 
Trabalho regular

O trio de arbitragem, proveniente do Namibe, fez um trabalho razoável. Embora se tenha denotado ainda alguma falta de ritmo para com a dinâmica dos jogos, Venâncio Daniel e os seus auxiliares Luís Chahua e Wilson Ntyamba falharam em algumas jogadas. Ora interrompendo de forma desnecessária um jogo já muito castigado pela falta de luz, ora assinalando faltas inexistente, o árbitro chegou a criar nervos aos bancos.

Amaro Ferreira (Benfica)
“Resultado justo

“Penso que tivemos períodos de muito bom futebol e se o Benfica vencesse o jogo nos minutos finais não seria nenhuma surpresa. Estamos com uma equipa em renovação, temos jogadores que têm talento que com tempo e com trabalho poderão ser integrados na equipa principal. Temos também muitos jovens na equipa, mas pensamos que os próximos desafios serão muito melhores.

Augusto Portela (maquis) 
“Fomos prejudicados”

“Acho que não levamos daqui apenas um ponto. Se contarem muito bem o número de oportunidades que criámos ou as ocasiões de golo que tivemos, verão que merecíamos a vitória. Quem estava a ganhar e joga com estes constantes cortes de energia só pode se sentir prejudicado. Demonstrámos que estamos vivos para o campeonato”.


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