segunda-feira, novembro 08, 2010

Recordar ídolos Após a independência

Antigo craque Vieira Dias nasceu na baliza do Maxinde

Ferraz Neto 
Vieira Dias
Vieira Dias é uma figura mediática do futebol angolano. Jogou futebol nos anos 70, 80 e 90, ao lado de nomes como Jesus, Avelino, Antoninho, Quim Sebas, Saavedra, Santo António, Makuéria, Chico Afonso, Pedro Ferro, Wilson, Napoleão, Tandu, Ndunguidi, Barros, Bolingó, Fusso ou Vidigal Capelo. 
José Vieira Dias Paulino do Carmo ou simplesmente Vieira Dias, nasceu a 19 de Abril de 1959, na Damba, província do Uíje. Por causa da Grande Insurreição, em 15 de Março de 1961, a família foi forçada a abandonar a Damba e fixar residência em Luanda. 
 “Muita gente pensa que sou natural de Luanda”. Não é. Na capital do país, os pais foram residir para a Rua C7, Bairro das Seis, no município do Rangel. 
De signo carneiro, VD como é carinhosamente tratado pelos amantes do futebol, começou cedo a dar provas de que longe no deesporto. Os trumunus entre ruas serviam para limar as arestas e torná-lo num autêntico craque do futebol. 
  
Guardião do Maxinde

Na década de 70, decidiu ingressar num clube organizado e legalizado, que o  tirasse do anonimato. Foi para o Maxinde Futebol Clube. Depois de vários testes foi escolhido para guarda-redes. 
Timidamente foi aprendendo a vencer os grandes obstáculos da baliza ao lado de jogadores como Manuel, Gamito, Mendinho, Jaburu, Male e outros.   
Durante semanas alimentou o sonho de ser um guarda-redes de renome como Yashin, o Aranha Negra, (1929-1990), considerado por muitos como o melhor guardião que já existiu na história do futebol ou o Cerqueira, do Atlético Sport Aviação (ASA). Mas faltou-lhe a inscrição. 
Como mandam as regras, deu o Bilhete de Identidade ao treinador Sousa Neto, para o clube tratar da sua inscrição. As expectativas foram frustradas, por causa das transformações políticas da Revolução dos Cravos, em 1974. Na confusão da época o Bilhete de Identidade desapareceu. Ficou impedido de se estrear no clube e ficou sem o BI.  
Não desanimou. Depois das aulas, jogava futebol nas equipas que representavam as ruas C7 de Baixo e C7 de Cima. Em companhia de Julião, Henriques, Cara, Jaburu, Vieira Dias tornou-se um guarda-redes emblemático. Mas experimentou outras posições em campo. 
Em 1974, aderiu aos Pioneiros do MPLA. Mais tarde foi para o Centro de Instrução Revolucionária (CIR) Hoji ya Henda, localizado nas imediações da cidade do Caxito. De regressou, integrou nas FAPLA e foi colocado no Quartel-General e posteriormente no Departamento de Organização e Mobilização (DOM). 
  
Formação em Cuba 

Em 1976, fruto dos acordos na área de formação entre Angola e Cuba, Vieira Dias foi contemplado com uma bolsa para a escola Inter-Armas, denominada António Marceo. Não abdicou do futebol. Tornou-se num dos grandes impulsionadores do campeonato entre escolas denominado Inter-Cem. 
Ao lado de Sá Miranda e como apoio moral do actual chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, general Francisco Pereira Furtado, fez defesas espectaculares que arrancaram aplausos e admiração das formações rivais. 
  
1º de Agosto e selecção 

De regresso a Angola, foi colocado na escola Nicolau Gomes Spencer, na província do Huambo. De férias em Luanda, cruzou-se com Julião, ex-colega no Maxinde. A conversa serviu para conhecer o Rio Seco, estado-maior do 1º de Agosto.   
No Rio Seco  as expectativas baixaram, pois estava na presença de nomes como Luvambo, Garcia, Ndunguidi, Julião, Barros, Sanção, Mateus César, Mascarenhas, Napoleão, Ângelo, Dongala, Agostinho ou Manico. 
“Não tinha hipóteses. Com aquelas feras todas ali”, salienta. A constituição física foi a salvação. O clube queria alguém com físico, no ataque da equipa. Depois de vários testes Vieira Dias não desiludiu. Mesmo assim foi colocado nas reservas. 
Entre 1979 e 1980, vestiu a camisola nove da equipa B do 1º de Agosto. Nesse ano, sagra-se campeão nacional da primeira edição do Girabola. No auge da sua afirmação, foi dispensado. Foi para o Progresso do Sambizanga, pela mão do professor Laurindo. 
Estava feita a sua afirmação. Foi o melhor marcador do clube, ao lado de Santinho, Santo António, Dê, Manuel e outros. Na época seguinte transfere-se para o Mambroa do Huambo, onde ficou apenas uma temporada. Foi nessa fase que Vieira Dias, integrou a selecção nacional em honras. Passou a ser intertnacional.
Fez parte da selecção que se estreou nos II Jogos da África Central, em 1981. Ficou famoso pelo sua capacidade no jogo aéreo e marcava grandes golos de cabeça.  

Vieira Dias responde

Qual foi o jogo que mais o marcou na selecção

Foi um jogo diante da Nigéria, em 1986, tudo porque aquele país foi sempre uma potência no futebol africano. Empatamos em Angola por 2-2. Já na Nigéria perdemos por 1-0. O que falou mais alto foi a experiência nigeriana e vários factores. Jogámos em pé de igualdade. Não houve diferença em campo. 

Quem são os seus pais

Sou filho Raul Frede Paulino do Carmo e de Sebastianina de Sousa Van-Dúnem. O meu pai teve dois casamentos. Uma das mulheres teve sete filhos e da minha mãe somos cinco irmãos. A minha mãe perguntava como é que um filho formado se dedica ao futebol e abandona o Huambo. Com o pouco que ganhei no futebol, ajudei a minha família, uma vez que perdi o meu pai em 1974. A minha mãe era costureira. 
  
É casado

Sou casado desde 5 de Junho de 1983. Foi depois de um jogo. Saímos do campo e minutos depois estávamos na festa. Foi uma maravilha. Hoje temos cinco filhos.

Aconteceu comigo

Vieira Dias é uma referência no futebol angolano e quiçá em África. Aos 50 anos, diz guardar vários momentos marcantes na sua carreira, destacando os golos de cabeça e o impulso nas lides futebolísticas do coronel Nicola, ele também um dos maiores futebolistas angolanos de sempre. “Durante o período que entrei para o 1º de Agosto foi ele quem depositou confiança em mim. Fui aquilo que ele queria que eu fosse”. 


Recordar ídolos Após a independência

“Jesus” Uma lenda africana

Osvaldo Fernando Saturnino de Oliveira “Jesus” foi um dos jogadores mais carismáticos e um dos melhores marcadores que a história de futebol angolano já registou. O livro Trumunu, que conta a história do futebol nacional e das suas estrelas, de Mateus Gonçalves e Carlos Pacavira, em 2004, é um dos locais onde podemos encontrar imortalizados os feitos do craque e dos seus colegas.
Jesus, nome pelo qual é conhecido pelos amantes de futebol e pessoas mais próximas, militou durante mais de 10 anos no Petro de Luanda, equipa com a qual se sagrou várias vezes campeão nacional, e experimentou, o profissionalismo no Varzim de Portugal.
A nível do continente, o jogador é conhecido, entre outros, pela classe com que ajudou a sua equipa, o Petro Atlético de Luanda, em grandes campanhas nas competições africanas e pela representação na selecção nacional, chegando a impor respeito em competições difíceis frente a países como Nigéria e Camarões. Jesus fez-nos uma retrospectiva da sua carreira e dividiu também algumas das alegrias e tristezas no desporto.

Quando e como começou a jogar futebol?
Comecei em 1970, tinha eu 14 anos. Fui com amigos treinar no Futebol Clube de Luanda, onde hoje é a Cidadela. Era o clube mais perto do bairro onde cresci. Na realidade, comecei a jogar bem mais cedo, aos sete, oito anos. Mas foi nesta altura, aos 14, em que passei a jogar em campeonatos. Depois passei para o Benfica, Terra Nova e para o Petro Atlético de Luanda.
Este reconhecimento vem premiar não só a mim mas todos aqueles que, de uma forma directa ou indirecta, trabalharam connosco quer como colegas de equipa 
ou adversários, tanto a nível nacional ou internacional.

Onde foi a sua infância?
A minha infância foi no bairro indígena, perto da Cidadela. Cresci em casa dos meus pais. Era o mais novo de cinco irmãos. Apesar da diferença de idades, sempre tive um bom relacionamento com os meus irmãos. Um deles, Eugénio Saturnino, jogava no Clube Atlético de Luanda, coisa que eu também fazia, mas claro, com “malta” da minha idade (risos).

Foi apoiado pela família?
No início, não. Comecei a jogar oficialmente a partir de 20 de Abril de 1974, porque só então tive o consentimento dos meus familiares. A prioridade dos meus pais naquele tempo é a mesma que tenho hoje com os meus filhos, a escola e a formação académica. Estudava na então Escola Industrial de Luanda, estava matriculado no curso de construção civil e só depois de ter terminado o curso médio é que comecei a jogar profissionalmente.
Houve algo que lhe tenha servido de incentivo?
Assistia sempre os jogos do campeonato nacional, no campo do São Paulo. Ia com os meus amigos do bairro e acho que aquilo acabou por ser o grande incentivo para que o futebol profissional se viesse a tornar cada vez mais um objectivo do qual não queria abrir mão.

Quem foram os seus grandes “padrinhos” no futebol?
Tive sempre admiração pelo treinador António Clemente. Acompanhei a carreira de excelentes jogadores quer nacionais quer internacionais, que, de uma forma geral, foram o maior incentivo que tive para atingir os níveis que consegui alcançar. Fui tendo como referência esses bons jogadores e acreditando sempre que trabalhando com dedicação acabaria por atingir os níveis que eu perseguia como desportista.

Em que clubes é que chegou a jogar?
Joguei no Futebol Clube de Luanda, Benfica, Terra Nova, Petro Atlético, Oliveirense e Varzim Futebol Clube. Estes dois últimos já em Portugal.

Como foi a sua experiência em Portugal, como jogador?
Foi boa, tive a oportunidade de conhecer o futebol profissional português e constatar as diferenças do futebol que praticávamos, que era não amador.

Quando é que terminou a sua carreira?
Em 1990. Já estava com 37 anos e achei que estava na altura de parar.

Durante a sua carreira sofreu algum impedimento físico?
Sim, fui operado quatro vezes, ao menisco interno e externo e ao ligamento cruzado. Resultado de várias lesões que fui sofrendo ao longo da carreira. É difícil encontrar algum jogador profissional que não tenha lesões.

Quem foram os seus companheiros na época?
Joguei com Ndunguidi, Abel, Savedra, Garcia, Lourenço, Salviano, Santo António e muitos outros.

Qual foi o melhor e maior jogo da sua carreira?
Foi o desafio em que goleamos o 1.º d’Agosto na Cidadela, por 6-2, penso que em 1986. Fui o autor de quatro dos seis golos. Foi bastante memorável.
PERFIL
  • Nome: Osvaldo Fernando Saturnino 
de Oliveira
  • Data de nascimento: 
14 de Janeiro de 1956
  • Naturalidade: Luanda
  • Equipa do coração: Petro
  • Comida favorita: Calulu
  • Ídolos no futebol: 
Pelé, Maradona, Eusébio, Diniz e Gomes
  • Viagem Inesquecível: 
A viagem aos Camarões na disputa da Liga 
dos Clubes Campeões Africanos e esta agora 
a Accra, para a recepção do prémio

Que análise faz do futebol angolano?
O nosso futebol está numa fase de organização competitiva em que despontam novos valores, e em que os clubes melhoram cada vez mais a sua organização interna, o que é importante, tendo como prioridade os escalões de formação que, para todos os efeitos, servirão de base para o desenvolvimento da modalidade.


os óscares do futebol
Os Glo Caf-Awards são os prémios mais importantes do continente africano. Também conhecidos como os “óscares do futebol”, eles vêm  reconhecer e prestigiar os grande nomes do futebol em África. Angola mereceu pela primeira vez, através do conhecido craque, o título e troféu de lenda africana do futebol, em homenagem à sua longa carreira.

Já pensou em tornar-se treinador?
Não só já pensei como já fui também. Treinei o Petro de Luanda e fui campeão com esta mesma equipa. Actualmente sou empresário e dirigente desportivo.

Quantos campeonatos e títulos já ganhou?
Ganhei sete campeonatos nacionais, cinco taças de Angola, recebi 3 troféus de melhor marcador do campeonato nacional, fui vice-campeão dos jogos da África central e campeão como treinador pelo Petro Atlético de Luanda uma vez. Tive também algumas distinções como a da gala dos desportos em 2007, e esta agora da CAF que é a mais recente, de figura lendária do futebol angolano e africano.

Com certeza foi uma grande honra para si...
É um prémio! É o reconhecimento de tudo quanto foi possível fazer em Angola e nos diferentes campos de África, de modo que esse reconhecimento vem premiar não só a mim como também todos aqueles que de uma forma directa ou indirecta trabalharam comigo quer como colegas de equipa quer como adversários, tanto a nível nacional como a nível internacional. Foi uma cerimónia organizada pela CAF que reconheceu o melhor jogador africano, o melhor do último mundial de sub-20 e, a par disso, foram premiadas também três figuras consideradas lendárias do futebol africano. Uma delas fui eu.

O que tem feito em prol do desenvolvimento deste desporto em Angola?
Tenho trabalhado como vice-presidente da Federação Angolana de Futebol, a FAF, dando o meu contributo para o desenvolvimento da modalidade a nível da organização do futebol, quer a nível de clubes, quer a nível das diferentes selecções nacionais. A reorganização das associações provinciais de futebol, de forma a tornar equilibrado o desenvolvimento da modalidade nas diferentes províncias do país, tem sido um dos meus maiores objectivos.
Anseia alcançar estes objectivos em breve?
Sim, espero que sim. Pretendo continuar ligado ao futebol e um dia assumir a presidência da federação, tendo como base um projecto actualizado para o desenvolvimento da modalidade. Priorizando a organização dos escalões de formação, melhorando a competitividade interna nesses escalões para que tenhamos uma base mais alargada para a alimentação das selecções nacionais, quer em número de atletas quer na qualidade a praticar, diminuindo os desequilíbrios em termos de infra-estruturas entre as diversas províncias. Há muito a ser feito, mas o que não falta é força de vontade e dedicação nos nossos novos talentos da bola.
os vencedores dos prémios da caf
Em reconhecimento das proezas realizadas no “desporto rei”, o antigo futebolista internacional angolano, Osvaldo de Oliveira, foi homenageado na capital do Gana, Accra, numa gala organizada pela Confederação Africana de Futebol (CAF), pelo enorme contributo que deu para o desenvolvimento da modalidade a nível nacional e internacional.
Para além do angolano, que figura até hoje  na lista dos melhores marcadores angolanos de todos os tempos, e que actuou no Petro de Luanda e Varzim FC, de Portugal, a CAF homenageou pela mesma causa, os ex-atletas Abedi Pelé, Anthony Baffoe, Anthony Yeboah, Abdul Karim Razak, Ibrahim Sunday, todos do Ghana, e o argelino Ali Fergani.
A homenagem foi extensiva a treinadores, dirigentes e jogadores que se destacaram no ano transacto com destaque para o camaronês Samuel Eto’o, o ivoiriense Didier Drogba, os nigerianos Emmanuel Sani e Ibrahim Sunday e o ghanense Dominic Adiyiah.
Jesus ganhou sete campeonatos nacionais, cinco taças de Angola, recebeu 3 troféus de melhor marcador do campeonato nacional, foi vice-campeão dos jogos da África central, e campeão como treinador pelo Petro Atlético de Luanda. Seguiram-se algumas distinções como a da gala dos desportos em 2007 (acima ilustrado), e a da CAF que é a mais recente, de figura lendária do futebol africano pelos muitos anos de carreira e de contributo em prol do futebol angolano.

domingo, novembro 07, 2010

Recordar ídolos Após a independência

AKWA Revela-nos como foi a sua Carreira no Mundo do Futebol


Fabrice Alcebiade Maieco, conhecido no mundo futebolístico como Akwa, ex-capitão da nossa selecção, nasceu na província de Benguela, e em Maio deste ano completou 32 anos.
Começou a dar os primeiros toques na bola, como a maior parte das crianças do nosso país, nas ruas, onde o campo imaginário era delimitado com pedras, e onde todos os mini craques ansiavam por uma oportunidade nas escolas dos grandes clubes da província como o Nacional de Benguela, Sporting de Benguela, Gaiatos ou 1 de Maio.
Foi na ecomil II,- empresa de construções de obras militares, que tudo começou, pois a empresa criara uma escola de futebol para dar oportunidades iguais ás crianças que não as tinham.
Foi graças ao Brigadeiro Filipe Berardi, que este projecto se tornou realidade.
“Em 1990 face à parceria que existia entre o Nacional de Benguela e a Ecomil II, foi fácil a minha transferência para a escola do Nacional de Benguela, onde evoluí até ser transferido para o SPort Lisboa e Benfica em 1994.”, afirma o ex. capitão
Em Portugal assinou um contrato de 6 anos, dos quais foi emprestado pelo Alverca 3 épocas,1 época pela Académica de Coimbra,1 época pelo Al Shabab de Riyadh da Arabia Saudita e pelo Al Wakrah do Qatar.
Depois de terminado esse contrato jogou 2 épocas pelo al etehad e 3 pelo Al Qatar Sport Clube e mais 1 pelo Al Wakrah sport club do Qatar.
Por fim em 2007/08, jogou pelo Petro de Luanda.
Em relação á sua vida familiar afirma não fugir muito do quotidiano de uma família tradicional. “Procuro ser um bom pai para os meus filhos, tento ensinar-lhes tudo o que aprendi com os meus pais, na escola e ao longo da minha vida, para que eles amanhã venham a ser homens honestos e exemplos a seguir. Como marido dou o meu melhor, embora também tenha as minhas falhas como qualquer ser humano. Temos uma vida feliz, tentamos fazer tudo o que podemos para aproveitar a 100% a nossa juventude. 
Somos bons amigos acima de tudo e isso tem ajudado bastante a nossa relação tanto a dois como com os filhos.” Realça Akwa
O grande sucesso do carismático Akwá não se concretizou apenas com o seu talento natural.
Foram necessárias muitas horas, dias, meses e anos de dedicação, trabalho árduo e muito treino para que o jogador conseguisse alcançar as suas metas.
Aqui ele revelou-nos o seu segredo para chegar ao topo:
“Para alcançar os meus objectivos ou seja, para traduzir  os sonhos em realidades futebolísticas, tive sempre presente as seguintes valências:
- Defini metas;
- Defini a missão;
- Tracei objectivos;
- Tinha estratégias, dentro e fora dos relvados;
- Trabalho e dedicação;
- Paciência e perseverança;
- Respeito, pelos dirigentes desportivos, colegas, árbitros e amantes da modalidade;
- Persistência, disciplina, humildade e amor ao próximo.
Fabrice aconselha a todos os jovens a fazerem o mesmo para alcançarem igualmente as suas metas.
Dadas as semelhanças que existem entre o futebol e as demais  modalidades  desportivas em termos de esforço, o meu conselho aos jovens como eu é o seguinte:
Devem definir claramente  as metas que pretendem  atingir a curto, médio e longo prazo. Devem ser atletas dedicados e persistentes, sempre focalizando as metas a atingir, pois, só assim, poderão encontrar o sucesso.
Não se esqueçam que o sucesso e uma consequência do trabalho árduo e persistente e isso vale não apenas para o desporto como para tudo o resto.

CLUBES

1990/94 - CLUBE NACIONAL DE BENGUELA
1994/95 - SPORT LISBOA E BENFICA
1995/97 - ALVERCA FUTEBOL CLUBE
1997/98 - ASSOCIAÇAO ACADEMICA DE COIMBRA O.A.
1998/99 - AL SHABAB DE RIYADH(ARABIA SAUDITA)
1998/99 - AL WAKRAH SPORT CLUB DO QATAR
1999/01 - AL ETEHAD SPORT CLUB DO QATAR
2001/05 - QATAR SPORT CLUBE
2005/06 - AL WAKRAH SPORT CLUB DO QATAR
2007/08 - PETRO DE LUANDA
 

TITULOS

- CAMPEAO NACIONAL DE JUNIORES(NACIONAL DE BENGUELA-MALANGE 1991)
- CAMPEAO DA LIGA DO QATAR(AL WAKRAH-98/999)
- CAMPEAO DA LIGA DO QATAR(QATAR SPORT CLUBE-02/03)
- VENCEDOR DA TAÇA DO PRINCIPE DO QATAR(AL WAKRHAH-98/99)
- VENCEDOR DA TAÇA DO PRINCIPE DO QATAR(AL ETEHAD SPORT CLUB-03/04)
- VENCEDOR DA TAÇA DO PRINCIPE DO QATAR(QATAR SPORT CLUB-03/04-04-05)
- VENCEDOR DA TAÇA GOLF NO KUWAIT(AL ETEHAD SPORT CLUB-99/2000)
- MELHOR MARCADOR DA LIGA DO QATAR-1998/99(19GOLOS)
 

INTERNACIONALIZAÇOES

- Selecção AA- 80 Internacionalizações

GOLOS
- 40 Golos
 

QUALIFICAÇOES E FAZES FINAIS DO CAN E CAMPEONATO DO MUNDO

- CAN-AFRICA DO SUL 1996
- CAN-BURKINA FASO 1998
- CAN-EGIPTO 2006
- Campeonato do MUNDO-ALEMANHA 2006
  

TITULOS PELA SELECÇAO 
- Vencedor de uma Edição da Taça COSAFA 2002.

Recordar ídolos Após a independência

Recordar: "Joni" É Recordar um craque .

Nome: Osvaldo Roque Gonçalves Cruz “Joni”
Data de nascimento: 25/03/1970 - (38 anos)
Naturalidade: Luanda - Angola
Posição: Médio Ala
Clubes Representados: Oliveira de Frades (91/92), CD Tondela (92/93), SC Salgueiros (93/97), Académico de Viseu (97/98), U. Montemor 
(98/99), ASA Luanda (99/01), Olhanense (01/02), Petro de Luanda e Al Ahly (02/03), Benfica de Luanda (03/04), 1º de Maio de Benguela (04/05) e Petro de Luanda (05/06).
 
    
Chegou aos 22 anos a Tondela para representar o  clube da cidade. Desde logo demonstrou grande potencial e valor para "voar" mais alto na época que realizou ao serviço do C.D. Tondela. 
   Despertou interesse de clubes de top portugueses, mas foi o Salgueiros que garantiu os seus serviços e por lá permaneceu 4 épocas.
   Após a passagem por Vidal Pinheiro representou clubes de escalões inferiores, voltando ao seu país de origem em 1999 para representar um "grande" de Luanda, o ASA. 
    O ponto mais alto da sua carreira foi a sua chamada à selecção AA de Angola, conseguindo alcançar entretanto várias internacionalizações nos "Palancas Negras". 

Petro de Luanda distingue vedetas

Petro de Luanda distingue vedetas

Abel Campos,Antoninho, Neijo, Kuim Sebas
Figuras distinguidas pelo furor feito nos tricolores na década de noventa
Fotografia: M.Machangongo
A Direcção do Petro de Luanda realizou, ontem, uma cerimónia de homenagem aos sócios fundadores e aos antigos futebolistas, num total de 50 pessoas, que se destacaram ao longo dos últimos 20 anos ao serviço da equipa principal do futebol tricolor, em alusão aos 30º aniversário daquela agremiação. 
Jogadores como Abel Campos, Jesus, Amaral Aleixo, Makuéria, Rasgado, Zico, Chico Dinis, Quim Sebas, Lúcio, Nejó, Santo António, Lufemba, Guedes, Savedra, Nelo Bumba, Bodunha, Chico Afonso, entre outros, foram lembrados pelo contributo dado em prol do clube mais titulado em Angola, a nível do futebol sénior masculino.
A actividade esteve ainda reservada à inauguração do campo número dois, afecto às equipas dos escalões de formação, no Complexo Desportivo Demósthenes de Almeida, que doravante passa a denominar-se Carlos Queiroz, antiga vedeta e treinador do clube que hoje desempenha as funções de responsável pelas camadas jovens da agremiação tricolor.
O presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Justino Fernandes, foi convidado a fazer o corte da fita e a descerrar a placa do campo, que passou a ter relva sintética. As obras iniciaram-se no primeiro trimestre deste ano.
O presidente da direcção, Cardoso Pereira, ladeado pelos seus colaboradores mais próximos, agradeceu a todos os que colaboraram e deram o seu melhor “para que hoje o Petro seja este grande clube de que todos nos orgulhamos. Espero poder contar com o vosso apoio nos próximos anos”
Carlos Queiroz não escondeu a satisfação pelo facto de ser homenageado enquanto está vivo, o que para si glorifica os 50 anos de trabalho no Petro de Luanda, em prol da formação dos mais novos. “Dificilmente o trabalho dos treinadores das camadas de formação é reconhecido em Angola, mas o meu maior troféu é um dia ver estes jogadores em grandes equipas e na selecção nacional”.
Ainda ontem, foi descerrada outra placa com o nome do também ex-jogador Osvaldo Saturnino de Oliveira “Jesus”, atribuído ao campo número um daquele complexo, vulgo Catetão. A anteceder a cerimónia, foi disputado o torneio infantil de futebol, denominado Gojko Zec, em homenagem ao antigo treinador tricolor. A prova consagrou a equipa do ASA, que bateu na final a formação da Academia de Futebol de Angola, por uma bola sem resposta. Em terceiro lugar ficou a equipa das Acácias Rubras de Benguela.  

Catetão eterniza Queirós

Catetão eterniza Queirós

Miquéias Machangongo - Hoje
Carlos de Sousa Queirós mereceu a grande homenagem
Fotografia: Francisco Carvalho
Em meio a azáfama, numa manhã cinzenta de sábado, o nome do treinador dos escalões de formação do Petro de Luanda, Carlos Queirós, foi aclamado por mais de cinquenta dezenas de pessoas, quando Justino Fernandes descerrou a placa à entrada do (novo) campo. Um espaço verde, com dimensões internacionais, para a formação de futebolistas. Era o eternizar de uma “grande estrela” que há 42 anos marca a vida na história do clube tricolor de Luanda. 

Carlos de Sousa Queirós, o homenageado da manhã, jorrou champanhe no tapete sintético com sentimento de agradecimento, por quatro séculos de prestação de serviço, que se circunscrevem em derrotas, humilhação, vitórias e homenagem. Sempre de cabeça erguida e convicto de um sonho realizável, Queirós superou as vicissitudes que teriam perigado a carreira. Mas a sapiência, a esperança e a humildade contornaram-no para o caminho inverso. Com olhos no passado, diz que, hoje, o Atlético o fez o homem respeitado e respeitoso. 

Para Justino Fernandes, presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), o reconhecimento a Carlos Queirós é um acto merecido e deixa-o satisfeito, pois a inauguração do campo representa o futuro do “nosso futebol”. O mais alto mandatário da FAF apelou a outras agremiações do país a enveredar por políticas de investimento. “É um trabalho de realce e todos os clubes deviam fazer o mesmo”, disse. O presidente do Atlético Petróleo de Luanda diz que a homenagem a Carlos Queirós está enquadrado no âmbito do 30º aniversário da fundação do clube. É uma homenagem merecida, porquanto fez e faz em prol do clube. 

“Não se podia esquecer de todos aqueles que fizeram crescer o clube com abnegação, dedicação e muito sacrifício”, disse o dirigente. O grande homenageado da manhã disse que se sente lisonjeado por testemunhar o lançamento do campo com o seu nome. “É uma honra que muito agradeço à direcção do Atlético Petróleo de Luanda”, frisou. De calções e camisolas tricolor, Carlos Queirós exibe o rosto vestido de sentimento de alegria. O trabalho de formação vai consumir mais tempo, o que lhe deixa exultado. “Hoje, temos um campo polivalente que pode suportar sete horas de carga”.

Para quem sempre dedicou a vida ao desporto, primeiro como atleta e depois como treinador, “é um prazer ensinar o futebol às crianças”. O rosto muda de figura e uma melancolia apodera-se dos seus olhos. A voz muda de tonalidade e um eco solta-se roucamente. “É um trabalho que não se vê aos olhos do mundo”, solta o treinador que a completa: “Ninguém vê o alicerce dos prédios, mas a parte mais alta. Não aparecemos”.

É uma manifestação inquietante; uma chamada de atenção aos dirigentes desportivos, que pouco investem no futebol de formação, e um apelo à promoção da base de sustentação qualquer sucesso. Carlos Queirós deixa receita simples pintada de humildade: “O nosso trabalho é bonito, porque os nossos troféus são a projecção dos jogadores”. Um troféu tão simples que engrandece qualquer cidadão de Angola. “Muitas gerações de atletas já passaram por nós, o que nos deixam felizes. Quando atingem à selecção nacional nos sentimos regozijados. O Flávio, Abel, Saavedra são exemplos do nosso trabalho”, conclui. Como milhares de outros atletas, Carlos Queirós incorpora-se na colectividade que marcou os 30 anos de existência da equipa do Catetão. “Temos uma vida feita no Petro de Luanda”.

Uma legião de percursores

A história da legião campeã do Atlético Petróleo de Luanda transborda para além das fronteiras nacionais. São jovens de diferentes gerações que elevaram o nome da agremiação em vários clubes espalhados no mundo. Entre muitos, a direcção seleccionou alguns, “por serem pessoas que um dia suaram as camisolas e deram a grandeza que hoje ostenta”. No 30º aniversário, a direcção do Petro de Luanda homenageou com diplomas e medalhas Nelo Bumba, Bodunha, Luís de Almeida, Moniz, Luís Domingos “Luisinho”, Santo António, Quim Sebas, João Barbosa “Balalau”, Chico Dinis, Guilherme Neto, Ralf, Francisco Afonso “Chico Afonso”, Laika, Zico, Felito, Rasgado, Nejó, Paulo Silva, Marito, Lúcio, Mbiavanga Kapela e tantos outros. São jogadores de diferentes gerações que fizeram a marca tricolor. 

Cada um a seu jeito empurrou para o pódio a equipa mais titulada do Girabola. São 15 títulos que demonstram a entrega profissional de jovens (alguns dos quais) formados nas Escolas do clube. Quim Sebas disse que “é com muita alegria merecer o reconhecimento público da actual direcção, pois foram muitos anos de entrega e dedicação ao clube”. O antigo futebolista agradece o gesto da equipa liderada por Pereira Cardoso. “Ajudamos a desenvolver o Atlético Petróleo de Luanda e a homenagem é bem-vinda”, disse.

Paulo Silva, o defesa que se transformou em ponta-de-lança, no fim da carreira, disse que “é uma felicidade muito grande granjear o reconhecimento da direcção”. O ex-dono do canhão esquerdo abonou que passou a maior parte da sua vida nos centros de estágios e campos de futebol vestido com as cores do Petro de Luanda. “É salutar saber que alguém reconheceu os nossos efeitos dados com carinho, satisfação e abnegação”, completou.

Rasgado, um nome marcado na Cidadela Desportiva e nos Coqueiros, gaba-se por fazer parte da equipa que ostenta cinco títulos consecutivos e tantos outros alternativos. “Sinto-me feliz e muito bem com essa homenagem, porque pertenço à equipa com cinco títulos consecutivos. Foi uma obra feita com humildade, dedicação e muito sacrifício”, disse. O ex-atleta afirmou também que com a realização da homenagem pública, a “família petrolífera procura unir-se para fazer um clube grandioso nos próximos tempos”. Uma promessa que não se pode duvidar, porque “todos vão ver”.

O actual membro da direcção técnica e antigo defesa Nejó argumentou que é de louvar o gesto da direcção do Petro de Luanda, porque o enche de alegria. Entre abraços e sorrisos, os laureados da manhã dividiram a emoção entre o presente e o passado. A nostalgia e o desejo confundiam-se nas conversas avulsas que se perdiam nos ‘grupos’ improvisados, ante o olhar incrédulo das crianças de diferentes escolas de futebol.

Quem é Carlos Queirós

Carlos de Sousa Queirós nasceu na Quibala, circunscrição da província do Kwanza-Sul, no dia 31 de Março de 1946. Iniciou a carreira desportiva aos 16 anos de idade no Atlético de Luanda, em 1962, onde fazia dupla categoria: juvenil e junior. Em 1965, subiu à categoria júnior e no ano seguinte tornou-se campeão nacional e considerado o Melhor Jogador do Campeonato de Luanda. Com a ascensão a sénior, Carlos Queirós integrou várias vezes as selecções provinciais (ultramarinas) nos torneios e jogos amistosos contra clubes portugueses, entre os quais Varzim e Belenenses.

Na época de 1973/74 foi proposto para trabalhar nas categorias de formação, onde colecciona títulos nos escalões de iniciados, juvenis e juniores. Em 1981 fez um estágio de superação no Brasil durante 30 dias e no Benfica de Portugal. No ano seguinte, fez o curso de treinador de futebol na Escola de Educação Física do Exército em S. João da URCA no Rio de Janeiro, Brasil. É treinador profissional desde o ano de 1983, quando assumiu as funções de auxiliar do brasileiro António Clemente no Atlético Petróleo de Luanda. Em 1984, assume a liderança da equipa e afastado a meio do Girabola por maus resultados.

Em 1985, é chamado outra vez e em 1986 torna-se campeão do Girabola como adjunto de Carlos Silva, um prestígio que se repete nos de 1987 e 1988. Em 1989 e 1999 assume a liderança como técnico principal e conquista os títulos de campeão do Girabola. Em 1991 foi indigitado pela FAF como seleccionador da equipa Olímpica. Do seu currículo consta o treinamento das equipas Petro de Luanda, Benfica do Huambo (Mambrôa), Grupo Desportivo da Nocal, Académica do Lobito e Benfica do Lubango.

 


sábado, novembro 06, 2010

Futebolando com o Colonial

Futebol


Campeonato Distrital de Benguela, Época de 1946

Em 1946, no jornal O LOBITO, nº1126 de 22 de Maio, podia ler-se esta notícia:

NO LOBITO
No melhor desafio do campeonato,
O LOBITO SPORTS CLUBE,
bateu o S.C. Portugal por 3-2.



As surpresas vão surgindo e o campeonato vai despertando um interesse cada vez maior. Pelo que vai decorrendo e pelo que se anuncia, prevê-se uma competição renhida tanto mais que todos os concorrentes se encontram pouco mais ou menos equilibrados.
Vão aparecendo, também as dificuldades, à frente das quais avulta o ingrato problema dos árbitros que, não obstante todas as decisões promulgadas, continua sem solução.
É este o «caso» que atinge maior acuidade, certo de que da sua solução depende a rgularidade do campeonato e de que não se pode estar à mercê de soluções de momento, de «caprichos» e «deserções».
Porfiados têm sido os esforços da A.F.B. para resolver o assunto e é necessário que o público os reconheça, não sendo por vezes tão impiedoso e tão injusto nas suas apreciações.
Há um péssimo hábito de fazer da A.F.B., o «bode expiatório» de todos os actos e atitudes condenáveis.
Basta um ligeiro exame de consciência, mesmo quando os espíritos estão mais exaltados, para se reconhecer a flagrância do êrro e a ilibação de culpas.
Não queremos dizer, com isto, que não estejamos sugeitos a decisões menos acertadas; mas do que não resta a menor dúvida é que os «defeitos» só se «descobrem» quando se «perde» e não quando se ganha ....

Um jôgo enérgico e movimentado
O campo do Lusitano registou uma grande enchente e a tarde foi assinalada por um desafio enérgico, movimentado e entusiástico de princípio até final.
Não demos por mal empregue o nosso tempo e o mesmo de certo dirá o público que assistiu, como nós, ao melhor desafio do Campeonato regional de futebol até hoje.


Reservas
A superioridade do Portugal foi logo evidente aos primeiros pontapés e se os alvi-negros tivessem explorado os fracos do adversário poderiam ter obtido um resultado histórico sem grande esforço.
O Lobito apresentou uma linha de recurso, fraca, que foi manejada sem dificuldade. O keeper não tem habilidade alguma, servindo apenas para fazer número e dos seus homens, só José Adriano, Aragão e Barata, fizeram algo de geito.
Do Portugal, gostámos da asa direita onde há ummeúdo que é uma féra; e de Moreira, que foi o mais inteligente e prático dos avançados não perdendo tempo com passes escusadose visando sempre a baliza quando surgia oportunidade.
Pedro madeira não soube tirar partido dos seus recursos atléticos e não soube também evitar o embate. Todavia, teve um ponto magnífico, marcando, com um remate explêndido ao canto da baliza.
O Jôgo de Honras
Sob a arbitragem de José Pinho os grupos apresentaram a seguinte constituição:
PORTUGAL - Seixal, Maia e Álvaro, Branco, Severino, Lobo e Leite, Ribeiro, Ayres, Cruz, Ruca, Joaquim dos Santos e Vitor Hugo.
LOBITO - Melo, Aguiar e Russo, Santiago, Ribeiro e Dionízio, Jorge Rocha, Júlio Couceiro, Caires, A. Couceiro e Direitinho.
O jôgo atingiu logo grande velocidade e ambos os grupos começaram a bater bem a bola. O Lobito proncipalmente mostrava uma indomável vontade de vencer e o seu jôgo era mais firme, mais rápido e mais perigoso.
Os seus jogadores não perdiam tempo com minuciosidadeslançando-se com entusiasmo em busca do resultado. Até que, aos seis minutos, Jorge Rocha, sem delongase numshoot feliz, marcou o primeiro ponto.
O entusiasmo recrudesceu.
Os lobitenses forçaram o ataque e a partida atingiu uma fase de intenso movimento e vibração. Tudo jogava e até o público, nas bancadas, não continha os nervos.
Assistiu-se então a um belo período de campeonato: oPortugal a reagir e o Lobito a procurar consolidar o resultado. E foi Jorge Rocha minutos depois que fabricouo melhor goal da tarde: um perigoso centro seu proporcionou a Caires uma entrada magnífica de cabeça e um ponto certo.
O público vibrou e o Lobito impôs-se, então com mais entusiasmo, desenvolvendo um jôgo eficiente cujo único fim era a baliza. Lobo apercebeu-se então do perigo que corria a sua equipa e veio para a esquerda marcar Jorge Rocha, o que, diga-se de passagem, deveria ter sido visto logo no início do jôgo.
O Portugal replicou; mas as suas avançadas perdiam-se quási sempre pelo exagero de passes sem qualquer utilidade para a equipa, pois permitiam a colocação do adversário.
Baldados foram os incessantes conselhos de Lobo para que não abusassem do dribling e modificassem a tática de jôgo. Mas estava escrito que 2-0 a favor do Lobito seria o resultado da primeira parte.

O empate e finalmente a vitória
O Portugal voltou ao rectângulo disposto a movimentar o marcador e «estoirar» as últimas energias.
E dominou.
O Lobito parecia acusar o esforço da promeira parte e o Portugaldecidiu-se a tirar partido do facto, sucedendo-se as avançadas contínuamente sem que todavia houvesse um goal a premiar o esforço.
Aos 10 minutos, porém, por falta de Russo, Joaquim dos Santos na transformação de um penalty marcou o primeiro goal e 5 minutos depois, Víctor Hugo, aproveitando um deslize da defêsa adversária estabeleceu o empate.
Com 2-2, o desafio animou e de parte a parte os jogadores esforçaram-se na procura da vitória que haveria de sorrir aos «verdes-brancos». Os keepers intervieram várias vezes e Melo teve até uma magnífica defesa a um potente remate, por alto, de Víctor Hugo. OPortugal jogou tudo e Lobo não cessou de impulsionar os seus companheiros incutindo-lhes entusiasmo e ânimo, - ao mesmo tempo que os orientava.
Finalmente o desideratum veio a 7 minutos do fim. Amândio Couceiro, na marcação de uma grande penalidade obteve o ponto da vitória para o seu Clube, fixando o resultado em 3-2.
O Portugal sentiu o ponto e ainda procurou reagir; mas a defesa verde com um Russo em grande tarde, tudo quebrou, aguentando o score. E assim terminou o desafio que, sem favor; foi o melhor até hoje disputado durante o actual campeonato de futebol. Luta ardorosa, enérgica, sustentada pela energia e pela vontade onde todos se houveram com a máxima correcção e galhardia.

A.J.M.
Na época de 1946 a equipa de Honras do Lobito Sports Clube classificou-se em 2º lugar no Campeonato Distrital de Benguela, atrás do Lusitano Sport Clube, ambos com 30 pontos.


Notas retiradas do Livro de António Gonçalves Rodrigues (1996)
A Selecção do Lobito vence o Sport Lisboa e Benfica no ano de 1951
Extraído do Jornal dos Leitores - Expresso, de 9-Nov-2000,
de Arlindo Leitão: "José Águas: o goleador que veio do Lobito"

A 19 de Agosto de 1950, o Sport Lisboa e Benfica, o «Glorioso», deslocou-se à cidade angolana do Lobito, onde, no Campo do Lusitano Sports Clube, defrontou aSelecção do Lobito. Nesse dia, a selecção local cometeu uma proeza inédita, vencendo o grande Benfica por 3-1.
Ao intervalo registava-se um empate a uma bola, tendo Corona marcado para o Benfica e Lourenço pela selecção do Lobito. No interregno, o inglês Ted Smith, técnico do Benfica, perguntava a toda a gente qual era a idade do avançado-centro, um jovem alto e magro que o tinha impressionado favoravelmente em duas ou três intervenções e que lhe parecera bastante novo.
No início do segundo tempo, eram decorridos 30 segundos de jogo, ainda o «mister» não se tinha sentado, quando uma ofensiva do Benfica foi interceptada por Zé da Barca, um moçambicano radicado no Lobito, que, de imediato, entregou aAmândio Couceiro, o qual faz um passe de «morte» ao jovem Águas - assim se chamava o tal avançado-centro - que, com um remate «seco», bate Contreiras, colocando a selecção do Lobito a vencer por 2-1.
A multidão não acreditava no que os seus olhos viam, o resultado era desfavorável ao Benfica. A partir daí, o Benfica carregou no acelerador e esperava-se a qualquer o momento o golo do empate; contudo, em mais um ataque rapidíssimo do Benfica, o mesmo Zé da Barca voltou a interceptar a bola, endossando-a a Pavão que, de imediato, a colocou ao alcance de Águas, fazendo este o 3º golo e, assim, «matando» o jogo. Desmoralizado e com um resultado desfavorável de 3-1, o Benfica baixou os braços à espera do apito que colocasse ponto final naquele «calvário».
A 9 de Novembro do corrente ano, José Águas completou 70 anos de vida e, para aqueles que nasceram em finais da década de 40 e princípios de 50 é a maior referência futebolística.
Na história do «Glorioso» é o segundo melhor marcador depois do moçambicano Eusébio. Marcou 378 golos com a camisola do Benfica. Ganhou por cinco vezes a «Bola de Prata», mas gostaria de frisar a sua brilhante «performance» no campeonato nacional.
Durante 11 anos, entre as épocas 1950/ 51 a 1960/ 61, foi sem sombra de dúvida o homem que mais golos marcou em Portugal, situando-se sempre entre os três melhores marcadores de cada época. Simplesmente fenomenal.
Foi 25 vezes internacional por Portugal, marcando 11 golos e capitaneando a selecção nacional em sete ocasiões. Ganhou cinco Campeonatos Nacionais e sete Taças de Portugal. Nas duas finais europeias, com o Barcelona e o Real Madrid, marcou um golo em cada jogo.
Parabéns, Sr. Águas, pelos 70 anos de vida!
 

terça-feira, novembro 02, 2010

Treinadores Angolano de Futebol tenhem valor

Miller Gomes defende apoio aos técnicos nacionais

Paulo Caculo - 17 de Maio, 2010 

Ex-seleccionador feminino defende maior oportunidade para os nacionais

O técnico promissor, Miller Gomes, afirmou ontem, em entrevista ao nosso jornal, ser a altura dos dirigentes angolanos apostarem muito mais no quadro nacional e afastarem a "ideia errada" de que a solução para o futuro do futebol passa necessariamente pela importação de treinadores.

Falando a margem da conclusão de mais uma acção formativa no exterior do país, o jovem treinador, 39 anos, mostrou-se preocupado com a fraca representatividade de quadros nacionais no principal campeonato de futebol do país, o Girabola, numa altura em que cada vez mais profissionais apostam na formação.

"Penso que hoje por hoje já não se justifica a fraca aposta dos dirigentes angolanos nos quadros nacionais. Temos hoje no país treinadores que investiram forte na sua formação e podemos citar os casos de José Kilamba, Romeu Filêmon, Mário Calado, Agostinho Tramagal, Zeca Amaral e David Dias, que estão a desenvolver trabalhos de qualidade nos clubes que representam", disse Miller Gomes, que até bem pouco tempo esteve á frente da coordenação dos escalões de formação do Recreativo do Libolo.

Para o antigo seleccionador feminino, a classe de técnicos nacionais deve ser mais valorizada, sobretudo pelo facto de, segundo ele, haver muitos profissionais capacitados no país."Desejo ver um número maior de treinadores valorizados.

A nossa classe tem de aumentar, mas para aumentar tem de haver investimento pessoal e passa, sobretudo, da valorização dos dirigentes angolanos a capacitação dos quadros nacionais", defendeu, lamentando em seguida o facto de não haver vontade dos clubes apostarem na formação dos seus quadros.

"Pelo conhecimento que tenho, o único clube que se mostra preocupado com a formação dos seus quadros técnicos é o Progresso do Sambizanga, que tem dois treinadores a formar-se em Portugal, nomeadamente o santinho e o Janguelito. Os outros estão com receio de investir".

Mais FormadosMiller Gomes não esconde, no entanto, a satisfação pelo facto de estar a constatar a existência de um número maior de técnicos interessados em apostar no investimento das carreiras, recorrendo a constante formação. Refere-se a Janguelito, Ernesto Castanheira e Kito Ribeiro, três colegas que concluem o curso de Nível I, em Lisboa, como exemplos da forte aposta dos treinadores angolanos com o futuro.

"Tenho a consciência de que são cursos de valores elevados, mas que valem a pena, porque Angola vai ganhar com isso, porque estarão a vir três técnicos formados e que é momento de o país aproveitar os quadros. As direcções dos clubes não têm de ter receio, porque hoje o técnico nacional faz melhor ou igual que o estrangeiro – ninguém sabe – temos de dar oportunidade a todos, para que possamos desenvolver um trabalho".

O treinador não consegue entender igualmente como o Girabola com 16 equipas, tem um número elevado de técnicos estrangeiro, mas "apenas um ganha títulos", enquanto "os outros não passam daí, não trazem mais-valia" – acrescenta ele – nem partilham o conhecimento que têm com a classe.

"Acho que é algo que a federação, o ministério ou alguma instituição já devia começar a pensar nisso. Nos outros países é assim que acontece: o treinador estrangeiro vai a este país, mas tem de dar o seu subsídio, tem que partilhar o seu conhecimento, justificar a sua contratação.

Em Angola acontece o contrário dos outros países: os técnicos chegam aqui, com currículo ou sem ele, trabalham, ganham o seu dinheiro e depois vão embora, sem partilhar conhecimento ou deixar qualquer informação e nós continuamos a viver este problema. É altura, na minha óptica, de se dar mais oportunidade aos treinadores nacionais".

Treinador sempre 
disposto a aprender


Investir na formação da carreira continuará a ser um desafio pessoal de Miller Gomes. O treinador a ambição de chegar o mais longe possível em termos de absorção de conhecimentos, por encarar o treinamento desportivo como a sua paixão, a profissão do coração.

"Abdiquei de tudo que fazia para ir fazer mais uma formação no exterior do país. Foram três meses de algum investimento pessoal, naturalmente em prol do futebol.

Fiz o curso de Nível II, conhecido por UEFA B, acho que foi uma experiência agradável, pela diversidade da matéria abordada, pelos prelector que tivemos nesta formação e, também, pela enorme experiência que pude absorver do estágio que realizei enquanto fazia o curso", congratulou-se o jovem treinador, destacando o facto de ter "bebido" muito da experiência de notáveis prelectores da FIFA e da UEFA.

"É um desafio a título pessoal, um investimento que faço à minha pessoa e à minha carreira, mas naturalmente que tudo isso vai desembocar naquilo que gosto de fazer, que é treinar", acrescentou ele, sublinhando a necessidade de todo o treinador que se preze apostar na formação pessoal.

"Hoje o futebol é uma dinâmica muito grande, uma ciência em constantes desenvolvimentos e constantes descobrimentos e ,naturalmente, estes momentos nos trazem mais-valias, nos fazem conhecer outras realidades e quando podemos transportar estas experiências à nossa realidade, adaptando-as aquilo que é o nosso contexto, podemos, se as coisas forem bem delineadas, tirar grandes dividendos a partir destas formações que vamos fazendo fora do país".                         

"Estou aberto 
a grandes desafios" 


Miller Gomes confessa estar ansioso por voltar rapidamente ao activo, sobretudo depois de ter concluído com êxito mais uma acção formativa da UEFA no exterior do país. O técnico angolano que já realizou estágios com José Mourinho e Alex Ferguson, no Chelsea e Manchester United, garante estar preparado para assumir grandes desafios.

"Agora que regressei, penso que estou em condições plenas para qualquer compromisso. Não vou aqui dizer quais, mas é bem verdade que tenho recebido alguns convites, mas estou a analisar com ponderação e tão logo possa definir esta situação, voltar ao activo. É a minha profissão, tenho de trabalhar, pois temos família, mas também não quero dar um passo em falso. Estou a analisar com calma, para poder definir com certeza o caminho a seguir" desabafou o treinador.

O ex-seleccionador feminino acredita, no entanto, que uma boa proposta pode surgir a qualquer altura, mas enquanto não chega, espera ter forças para continuar a aperfeiçoar os seus conhecimentos, gozando de outras experiências.

"Quero abraçar experiências novas, conhecer outras realidades, continuar a aprender, porque todos os dias vamos desenvolver e ver coisas novas, porque o futebol que era há vinte anos já não é o mesmo de hoje. O meu limite é este: todos os dias acompanhar a evolução do saber, sobretudo naquelas disciplinas que estão identificadas como a chave do futebol. Este é o meu grande desafio".

Refira-se que antes do Recreativo do Libolo, onde esteve a coordenar os escalões de formação, Miller Gomes teve passagens pelo Benfica de Luanda, selecção feminina, Petro, 1º de Agosto e Petro do Huambo.